Quando um azar destapa amor.

A minha jovem aluna sénior chegou um bocado antes da hora.

Queria um abraço apertado para lhe acalmar os medos. Foi assaltada na rua há oito dias e levaram-lhe tudo. Mas nada foi tão devastador do que ter ficado sem o terço dela e a pedra que lhe dei. Entretanto, fora à igreja e comprou uma medalha protetora:”Fique com esta, menina Sofia. É para lhe dar sorte. Foi abençoada pelo padre e tudo. Tenha-a sempre na carteira, está bem?”

Tinha comprado então duas; uma para ela e outra para mim. Prometi -lhe que a ia guardar comigo como ela sugerira e que hoje a nossa aula de meditação seria para lhe darmos todos uma energia de grupo protetora e revigorante.

E assim foi.

No final da aula, um aluno informou, especialmente a ela, que o ladrão já tinha sido apanhado. Parece que andava há algum tempo a assaltar velhotas.

Por isso, tomou consciência de que tinha cinco coisas a agradecer: ele não lhe ter feito mal, já ter sido apanhado e ainda ter arranjado uma pedra mais bonita, a que lhe dei, um terço mais valioso, porque foi um presente inesperado de uma vizinha, uma medalhinha abençoada pelo padre e uma aula de meditação com um abraço extra de todo o grupo.

É a vida a mostrar que há presentes inesperados que fintam o azar e o transformam em puro Amor. Ela sorriu e o seu olhar acompanhou-a.

Acho que ficou finalmente em paz.

E eu com uma medalhinha que vou guardar com toda a ternura.

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