Um taxista que sabe passar as horas mortas.

Há uns dias, ao passar pelo Jardim da Parada, começo a ouvir o som do acordeon, numa música muito bem tocada e alegre.

Pensei que talvez o Michel estivesse a dar um concerto, algures no coreto. Acontecem tantas coisas naquele coreto!

Aproximei-me do centro do jardim e nada de acordeons, nem de Michel, nem de grupos em festa. Intrigada, dei a volta.

Seria um vizinho à janela?

Para minha surpresa, nada disso.

Na praça de táxis, um taxista, num dos carros do meio que aguardavam clientes, estava de mala aberta junto ao seu carro a tocar, preparado para ter de arrumar o instrumento a qualquer instante. E tocava de uma forma descontraída e sorridente, mais para ele do que para os outros.

A verdade é que era impossível não sorrir diante deste cenário, nem de agitar o corpo num qualquer movimento dançante!

Que bem que ele tocava! E que alegria espalhou ele por ali!

Uma forma bem criativa de dar um sentido aos tempos mortos! Porque também neles, vivemos.

Aprendendo por aí.

Este texto tem três anos. É bom recordar quem faz a diferença na banalidade dos dias sonâmbulos. Não o vejo há uns tempos! Desencontros, talvez.

Se o vir por aí, bata-lhe palmas!

Certamente ele vai responder com uma vénia alegre.

Tal como ficará o seu dia.

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