Numa manhã desta semana que passou, a caminho do trabalho, cruzei-me com um casal de velhotes bem diferente do habitual.
Vinham absorvidos a tentar reproduzir uma música qualquer.
Dizia ela, enquanto agitava um braço harmoniosamente: “Tchan…tcharan…tan…tan… É assim? Estou a fazer bem?”.
Responde então o marido: “Isso mesmo! Levanta-se sempre a mão direita!”
Não sei se terá sido maestro ou se simplesmente é alguém apaixonado por música.
Só sei que eram bem velhotes e certamente mais novos que muitos novos que se sentem velhos.
Despedi-me silenciosamente deles, enquanto os vi afastarem-se, tranquilos e sorridentes, de braço dado, numa cumplicidade tão maravilhosa.
Que tenham um resto de vida tão bonito como eles.
