A mulher e o meu cão num banco de jardim.

Reparei naquela mulher sentada num banco junto à igreja, quando passeava o meu cão.
O seu olhar parecia perdido, enquanto o corpo mal sentado, dava a sensação de indiferença. Tanto podia estar ali como noutro sítio qualquer. Estava ausente do mundo, como uma cortina baça através da qual há muito o sol desistira de entrar.
Continuei o meu passeio, até encontrar os donos do costume com os seus cães, amigos do meu Balu. O encontro de sempre à hora marcada. Soltei o cão, para que todos juntos pudessem correr e brincar, enquanto dávamos os nossos dois dedos de conversa.
Mas eis que, a certa altura, distrai-me e perdi o Balu. Onde é que ele está, não está com os outros cães, nem ao pé de mim, os únicos sítios possíveis. Achava eu.
“Não é ele ali ao fundo?” Apontou um dos meus parceiros do mundo canino. Para o espanto de todos nós, o Balu estava sentado no banco de jardim, junto à tal mulher que lhe fazia festas de sorriso surpreendentemente aberto.
Assim que me viu a olhar para ele, aguardou uns minutos e veio ter comigo.
A mulher, ao longe, saudou-me, com um olhar brilhante. O Balu tinha feito a sua parte.
Quando chegou a casa, ganhou um osso a valer. Mereceu.

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