Como é que tu fazes, mar?

Como é que tu fazes, mar?

Aguentas tantas marés, ondas que se levantam, rochas que surgem por entre as tuas águas. Barcos que te atravessam a alta velocidade. Pessoas que mergulham em ti, sem te pedir licença.

Como é que tu fazes, mar?

Tu que tanto ofereces a calmaria de um dia de verão, como a alegria de uma onda que nos dá tantos momentos felizes.

Acarinhas os nossos pés que, timidos, procuram entrar nas tuas águas. Envolves o nosso corpo com tanta delicia e frescura!

Como é que tu fazes, mar?

Vives tudo isto ao longo dos anos, e não perdes a compostura. Mesmo quando impões a tua autoridade, diante do abuso humano.

Mostras-nos que a integridade não é definida pelos acontecimentos, mas pela nossa decisáo do que escolhemos guardar no nosso espaço sagrado.

E és consistente, mar. O mais consistente do universo, sem modas, mas sempre na moda!

Por isso, gosto de conversar contigo, porque o tempo não existe, junto de quem mantém o seu fluxo, seja qual for a estação. Tu sabes todos os meus segredos, mas ainda não sei a tua resposta à minha pergunta. Como é que tu fazes, mar?

Talvez não precise de saber. Porque talvez já a saiba.

Por isso te procuro, sempre.

E para sempre.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *