A minha amiga tinha pouco tempo de vida, um tempo que acabou por ser estendido para que ela o digerisse da melhor forma.
Disse-me que a noção de que nada tinha a perder dava-lhe uma estranha liberdade para dizer tudo o que sentia a quem queria. E, com isto, saborear a vida de uma forma totalmente nova.
Uma tarde, foi sozinha ver uma exposição, algures na Gulbenkian, exposição essa que a fascinou. Quando terminou, dirigiu-se à esplanada para tomar um café e refletir no que tinha visto.
Mas eis que entram duas mulheres excêntricas na casa dos sessentas, cuja conversa lhe chamou a atenção. Como rapidamente descobriu, uma delas era precisamente a autora da exposição! Não era dia de inauguração e a minha amiga nem queria acreditar na sua sorte. Meteu conversa, com toda a gentileza que a caracterizava.
A sua sinceridade foi de tal forma cativante, que a artista a convidou para jantar nesse mesmo dia com outros amigos do meio.
E assim acabou a noite, com novos amigos, alguns nomes conhecidos, numa cena que poderia ter saído de um filme do Woody Allen. E que ela jamais pensou viver!
Foi ela quem me ensinou que as oportunidades aparecem para quem se prepara para as receber, com flexibilidade, naturalidade e honestidade. E assim se pode fintar o próprio destino.
Numa altura em que tanto precisamos de boas histórias, vale a pena refletir sobre isto.
Um beijinho daqui para o Céu, querida Mó! Foste e serás sempre uma inspiração.
